Primeiro apito do primeiro jogo do ano

Foto: Lucas Bois

Foto: Lucas Bois

Dia 03 de fevereiro de 2013.

Seria um domingo comum, se semanas antes o governador não tivesse anunciado a reabertura do Mineirão diretamente em um clássico.

Seria mais um clássico comum se não fosse o retorno do gigante da Pampulha após quase 3 anos fechado.

Seria um clássico com seu roteiro inesperado, se não fosse um Cruzeiro quase – completamente – desconhecido em campo, contra um rival alvi-negro conhecido e vice campeão brasileiro.

Seria um ano comum.

Apenas “seria”.

Foi um domingo com falta de água, com estacionamento distante, grandes filas, estranhamento de comida e empurra empurra pra troca de ingressos. Mas, apesar dos pesares, foi um clássico mais um vez histórico.

Mal se sabia que em campo estava o futuro campeão inédito da Libertadores e o futuro tri-campeão brasileiro.

Eram novos rostos, tanto pelo desconhecimento, quanto pela idade, daqueles que agora ostentavam a camisa celeste. Era um estádio novo com futuros novos craques. Tudo era novo.

O nome dos jogadores do adversário estava na ponta da língua, mas demorávamos cerca de 3 segundos até identificar os donos da camisa azul. Quem diria que seria difícil reconhecer os jogadores como reconhecer aquele novo estádio? Não há como negar que havia um franco favorito e seria surpresa se o Cruzeiro ganhasse. Mas como clássico é clássico, vamos deixar isso baixo pra que não espalhem por ai.

Foto: Lucas Bois

Foto: Lucas Bois

Apiiiiiiiita Cleisson Veloso Pereira, vamos ao início de mais um ano.

Primeiro houve o reconhecimento. Os times se respeitavam. O Cruzeiro tomou sufoco, mas mostrava que não era um pato pra se entregar fácil. Se perdia no entrosamento, acertava na obediência tática.

E pela obediência tática, foi formando o entrosamento no campeonato Mineiro. Apesar da facilidade do campeonato mineiro, usou este como uma pré-temporada estendida. Vinícius Araújo ou Anselmo Ramon enquanto Borges estiver fora? Como encaixar o jogo do lento Diego Souza que, apesar de tudo, tem técnica, com o do Everton Ribeiro que sempre cai pro lado dele? Ricardo Goulart entrava e deixava seu gol, mas como encaixá-lo no time?

Mexe lá, mexe cá. E chegou a um dos melhores jogos do estadual justamente na semi-final. Villa Nova x Cruzeiro. O time celeste se encaixou perfeitamente no perigoso Castor Cifuentes e fez o que quis como visitante. Em menos de 5 minutos de jogo, 4 finalizações com perigo! Como pode um time brincar dessa forma em uma semi-final do Mineiro? Depois de várias jogadas de efeito, triangulações e ainda pivô do Anselmo Ramon: Cruzeiro 4 a 0. Era ainda um time que tinha Leo, Mayke, Everton, Leandro Guerreiro e Anselmo Ramon de titulares, mas sem explicação como Diego Souza e Everton Ribeiro – cada – tinham feito dois gols. “Olá, prazer! Você está sendo enganado… não sou mais o velho 4-4-2, mas sou o 4-2-3-1. 😉 ”

Maaaaas voltando ao primeiro clássico, pouco depois dos 21 minutos, sai o primeiro gol de um velho jogador que mais tem nome de cantor de bolero – Anselmo Ramon -, mas que na verdade foi um gol contra do Marcos Rocha.

Exatamente da forma da final do campeonato mineiro. Poucos se lembram como foram os jogos, além dos resultados. Sabemos que o Cruzeiro perdeu por 3×0 no Independência pro Atlético no primeiro jogo. Ato até perdoável, que o rival não perdia desde a estreia no novo estádio do América, e o Cruzeiro era um time novo que estava se entrosando.

Mas no jogo da volta, o grande campeão foi o lado azul da Lagoa.

A partir de uma derrota, surgia o lema que seria para o ano inteiro: Fechado Com o Cruzeiro. Sabíamos que era difícil, mas não impossível. Ainda mais com a ajuda da sua torcida. Da Toca II ao Mineirão… tudo se transformava. O que parecia ser forte contra fraco – não pela camisa, mas pelos jogadores que a pouco tinham entrosamento – agora era um exército contra doze desprotegidos com a camisa listrada.

Quando o time celeste fez 2 a 0 naquela final, não se ouvia o outro lado do estádio. Nem uma mosca voava por tamanha tensão. Pra torcida cruzeirense, valia a entrega, pois se não desse o título “ao menos lutaram”.

Maaaaas quase no fim da primeira etapa da estreia do Mineirão, veio o gol do Araújo. Besteira deixar alguém sobrando na área! Mas empataram. Ainda assim corriam atrás.

O rival alvi-negro foi campeão da Libertadores, ainda corria atrás do Cruzeiro, o qual já havia conquistado a América por duas vezes. Chateou um pouco, mas nada como a vontade de sempre ganhar. Essa tem que ser a gana de sempre, entregar-se? Jamais.

O time que antes não era apontado como favorito por ninguém, começou brigando por cima no campeonato nacional. O que era de conhecimento regional, agora ficaria nacional. O Cruzeiro 2013 era forte, não se engane por identidades desconhecidas, mas o manto que eles carregavam era conhecido além das fronteiras.

Como pode um time não ter um jogador diferenciado se destacar, enquanto os outros tinha Juninho Pernambucano, Alex, Seedorf, Ronaldinho Gaúcho, Forlán, Luis Fabiano…? Talvez porque não era o nome de um jogador que tinha que dominar as manchetes, mas do clube que carregava esses jogadores: Cruzeiro Esporte Clube.

Talvez estivesse empatado porque precisavam de um beliscão pra perceber que não era um cavalo paraguaio, mas era o Cruzeiro. Mas na duvida, ainda estava empatado. O ano dos medalhões, se tornava dos meninos. Everton Ribeiro se destacava por gols espetaculares, Ricardo Goulart por sua presença onipresente, e o “ex-Corinthians” William, agora era o Bigode Grosso do funk da moda. Bigode que enfeitava as arquibancadas. Júlio Baptista, o medalhão celeste, ficava no banco e entrava como suplente apenas para assustar mais o adversário com gols e com experiência.

Foto: Gil Leonardi | Lancenet

Foto: Gil Leonardi | Lancenet

Assim era feito o Cruzeiro de 2013.

Como um gol de cabeça do baixinho Dagoberto entre as “torres gêmeas” foi um elemento surpresa naquele primeiro jogo do ano, ninguém esperava, mas sabia que o Cruzeiro surpreenderia.

O Cruzeiro, que era conhecido em âmbito regional, surpreendeu o Santos de Pelé e conquistou a América duas vezes em 93 anos de história. La Bestia Negra conquistou seu status de gigante, assim como em 2013 conquistou – loucamente – o Brasil no primeiro apito do primeiro jogo do ano.

 Luciana Bois

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